National Kid

 

Participe: humbertocardoso@zipmail.com.br


Se você passou boa parte da infância acompanhando a saga do maior super-herói da televisão brasileira dos anos 60, prepare seu coração.

De amanhã a sexta-feira, em São Paulo, a galeria Espaço D'Artefacto irá apresentar uma aventura completa de "Nacional Kid contra os Incas venusianos". É parte do evento "Japão: 80 anos de Brasil", comemorando oito décadas de imigração japonesa em nosso País.

Nacional Kid - cujo nome se deve à empresa de produtos eletrônicos Nacional, que patrocinou a série - estreou na televisao japonesa em 1960 e permaneceu no ar por oito meses, sempre em episódios semanais.

No Brasil, o herói entrou em circulação a partir de 1962. No total, Nacional Kid protagonizou quatro estórias e 39 episodios. A primeira estória mostrou os Incas Venusianos invadindo a Terra. A segunda narrou a saga dos Seres Abissais, vilões que com seus submarinos emergiam do fundo mar e provocavam maremotos. A terceira apresentou criminosos que habitavam mundos subterrâneos, enquanto a última introduziu um menino extraterrestre, perdido na Terra, que conseguiu retornar a seu planeta de origem graças à ajuda do herói de capa
prateada. 

O episódio que será mostrado em São Paulo tem Ichiro Kojima no papel principal e Taichi Kiwako como o flerte do protagonista, e foi dirigido por Nagayoshi Akasaka. Com duas horas e 40 minutos de duração, foi produzido nos estúdios da Toei Company, no Japão, em 1960. Entre os personagens encontramos o professor Massao Hata (Rayusaku Hata, no original), alterego de Nacional Kid, seus cinco alunos - Goro, Yukio, Kura, Mari e Tomokiro -, sua assistente Hisako, que recebeu o epíteto de "Tchaco", e o delegado de polícia Takakura.
Há também o cientista Dr. Mizuno, pivô da primeira e da terceira partes da história, o líder Inca Aura e o deus Inca Auika - Avika, no original. "Auika" era também a expressão usada pelos venusianos como cumprimento, sempre cruzando os antebraços na altura do peito. (A expressão nada significa, e foi inventada por assistentes do diretor Akasaka.)

A aventura começa com a invasão de estranhos objetos voadores. Surpreendidos pela incursão alienígena, membros da alta cúpula japonesa convocam o grande cientista Dr. Mizuno para uma reunião. Ele, entretanto, acredita que o Prof. Massao Hata seja mais indicado para solucionar o caso e manda chamá-lo. Enquanto isso, os Incas venusianos enviam uma mensagem cifrada na antiga linguagem incaica, comunicando seu descontentamento com as pesquisas nucleares desenvolvidas no Japão. Eles temem que as radiações poluam o espaço e ameaçem seu planeta. Pouco depois, os invasores realizam seu primeiro ataque raptando o Dr. Yamada, cientista que pesquisava uma poderosa energia capaz de aniquilar qualquer força extraterrestre. Transformado em inca e devolvido à Terra, ele rapta Dr. Mizuno e seu fiel assistente, quando ambos tentavam solucionar um caso de contaminação alimentar generalizada. Mesmo sob a ameaça venusiana, Dr. Mizuno se recusa a cooperar com os Incas. É aí que Nacional Kid entra espetacularmente na nave e leva-os de volta à Terra. Sãos e salvos.

Revoltados com o fracasso, os líderes Incas se reúnem e descobrem que o líquido "Raio X" tem a capacidade de anular os poderes do super-herói. Para atraí-lo, boicotam um congresso de cientistas em Kyoto, sumindo com o trem-bala que transportava os participantes.

Não satisfeitos, raptam ainda as crianças da escola primária na qual o Prof. Hata leciona. Nacional Kid parte ao encalço das vítimas, mas é dominado por seus inimigos e acaba sendo submetido a uma imersão em "Rádio X". 

Aparentemente a substância não o afeta, mas em plena perseguição um relâmpago o derruba, enfraquecendo-o. Apesar de ser socorrido imediatamente pelo Dr. Mizuno, ele não consegue recuperar seus
poderes. Aproveitando-se da incapacidade provisória de Nacional Kid, os Incas provocam catástrofes em todo o Mundo. Com seu brilhante raciocínio, apesar de debilitado, o dublê de mestre e herói percebe que somente uma energia superior àquela que o derrubou poderá devolver-lhe os poderes. Ele se submete a uma forte radiação e expulsa os Incas. Mas eles prometem vingança para breve.

Num belo feriado, o Dr. Mizuno descobre que toda a água está contaminada e inicia uma exaustiva pesquisa para recuperá-la. Descobre que o "Radio X" está diluído na solução e que o único antídoto estaria na alta concentração de "Petalúnia" existente nas pedras de "Água Conga", no interior da África. Nacional Kid vai em
busca do material e traz a salvação à Terra. 

Com esta reação de Nacional Kid, os Incas venusianos ficam mais furiosos do que nunca e resolvem destruir o Japão, país no qual está centralizada a resistência aos extraterrestres. Para isso, acionam a sua mais poderosa arma secreta: a Máquina Mortífera Alfa. A tática do rapto é posta novamente em prática e desta vez a vítima é Goro, o caçula da turma de discípulos do Prof. Massao Hata. Novamente atraído para a nave, Nacional Kid é preso e a invasão se inicia. No interior da nave, os representantes de outros povos do universo se reúnem para uma conferência, pois os Incas esperam formar uma aliança invencível para a destruição da Terra. No entanto, os invasores são traídos pelo representante do povo "Kasei", que ajuda Nacional Kid libertando-o. Pronto para o combate, Nacional Kid destrói todas as naves e a paz parece retornar ao planeta. Só o herói sabe que essa é uma situação provisória.

Os admiradores de Nacional Kid, hoje em uma faixa que oscila entre 20 e 30 anos, sabem que não existe mais nenhuma fita do herói disponível em arquivo brasileiro, pois as que havia foram destruídas pelo incêndio da TV Record, em 1968. Mas as imagens do primeiro seriado da TV japonês a fazer sucesso internacional permanecem na memória de todos. Embora Nacional Kid não seja um personagem de alta complexidade, com capa e máscara lembrando tantos outros heróis anteriores dos quadrinhos, esta foi a primeira série de ficção
científica criada direta e exclusivamente para televisão no Japão.

Para sintonizar suas aventuras, era preciso ligar a TV e se deixar fascinar pela sucessão de planos, cortes e sugestões imaginativas que somente a eletrônica é capaz de oferecer. Assim, para toda uma geração, Nacional Kid é ao mesmo tempo a revelação do mundo mágico que une uma cultura ancestral ("os incas") a uma outra fictícia ("os seres venusianos"), ou a origem de frases enigmáticas como "Celacanto provoca maremoto", que apareceu como manchete de jornal em episódio dos Seres Abissais e que ganharia conotação política nos anos 70 enquanto grafiti em muros cariocas, mas também é a descoberta da própria TV como linguagem e meio de comunicação.

Eduardo Kac
Professor de Art e Technology
Chicago - USA


Olá Humberto!

Um final de semana desses, ouvindo o programa do "Gordo" na Rádio Cidade no Rio de Janeiro, fiquei atento à entrevista e ouvi sobre o site no saudoso Nacional Kid. Tenho 41 anos e fui recordando mentalmente os episódios do velho seriado de TV. Nunca ouvi mais falar, pelo menos comentando com amigos que também apreciavam o seriado, no PODEROSO defensor japonês prof. Massao Hata e seus amigos. Me lembro perfeitamente do último e saudoso episódio da despedida do Nacional Kid, quando partiu de vez da Terra. Me lembro também, nessa época morava em Brasília-DF e todas as noites ou finais de tarde não lembro bem, todos os primos reunidos na sala para ver o seriado e minha mãe ficava sem ver a novela "Sangue e Areia" ou coisa da época. Um primo meu desenhou o National Kid voando para mim, e como um garotinho inocente, levei para a escola e um colega rasgou. Gostaria de manter contato com você ou grupo para recordar e adquirir algum material para mim como fotos etc...

Abraços

Carlos Augusto - Rio de Janeiro-RJ


Parabéns! ! ! !

Não tenho palavras. Estou num dia complicado, confuso, cheio de indefinições e incertezas quanto ao meu hoje e principalmente com o futuro meu e de minha família. Aí acho sua HP e depois de uma hora de navegação me sinto com meus 8 anos de idade em que minha maior preocupação era não perder o episódio do dia.

Aguardando ansioso que no dia seguinte nosso super-herói achasse as saídas para suas crises, do "seu" povo, seus amigos. Eu não sabia, mas ele era o que eu sou hoje, lutando contra injustiças, contra o poder exagerado
de pessoas e seres insensíveis as necessidades dos outros. Que almejam lucros e resultados rápidos sem se importar com quanto destroem ou à quantos prejudicam nesse meio tempo. Ele e seus verdadeiros amigos sempre criaram os meios para vencer e reverter as situações de risco. Nunca desanimavam e com muita luta venciam. Consertavam os estragos causados por atos ou omissão de terceiros e iam em frente. Estou assim neste momento. Termino de postar este mail e vou a luta. Não tenho mais tempo a perder, não posso ficar aqui me lamentando. Obrigado por me lembrar e trazer de volta o menino que ia defender o mundo. Ele acabou de voltar, esta aqui dentro de mim agora.

Nesse momento eu tinha um grande NÃO dentro de mim. Agora estou indo a luta para buscar um enorme SIM. Obrigado por este resgate da nossa vida, nosso passado e nossa história. Por me fazer lembrar do "fazer o bem não importa a quem".

Para você, só posso reafirmar: PARABÉNS e OBRIGADO. CONTINUE.

N. C. S.


"Ter descoberto este site foi como se abrir uma janela para a minha infância."

Giovanni

O Kid-fã Giovanni

Acima, Giovanni e sua réplica do nosso herói, produzido por ele mesmo!


A Kid-fã Sonia e RodolfoFiquei realmente feliz e emocionada com seu site sobre Nacional Kid. Ele também embalou minha infância e alimentou minha imaginação com estórias de coragem, amizade e tantos valores bons, que de certa forma ajudaram a formar a pessoa que sou hoje. Sou professora, adoro meus alunos e em cada um deles, vejo uma criança,  ansiosa por novidades, como em N.K., e luto com uma enxurrada de valores ruins, passados pela mídia que em contraponto ao nosso tempo, vão desenvolvendo nos jovens tanta coisa ruim, pela falta de sonho, de valores cidadãos. Enfim, que idéia legal você teve.  E lhe agradeço pela alegria que me proporcionou.

Saudações "kidianas" para você.

Um abraço, Sonia Jobim

 


Humberto,

Coisas estranhas às vezes acontecem... Estava dando uma olhada na HP de uma banda de Heavy Metal de um amigo e deparei-me com o seu banner. Foi uma sensação indescritível! Acho que o coração disparou, sei lá...De repente, vieram-me à memória as imagens do único super-herói que já tive, o inesquecível Nationaro Kido. Lembrei de mim, de uniforme escolar, almoçando na frente da televisão, sem sequer me importar se ia chegar atrasado ou não à escola. Lembrei do gesto com os dedos sobre os olhos, como se a imitar a máscara do querido herói, e do lençol amarrado ao pescoço à guisa de capa...

Nada de cores ou efeitos high-tech de computação gráfica. Apenas a inocência de crianças e uma mensagem transcedental de paz e felicidade, como bem lembrou o José Carlos, cujo e-mail encontra-se publicado em seu site. Tenho hoje 42 anos e me arrisco a dizer que, como todos os da minha geração, fui uma criança privilegiada, por ter podido contar com o "Kido", em todos os momentos.

 

Cara, seu site é sensacional! Parabéns pela iniciativa!

Um forte abraço.

Sergio Luiz Fernandes da Silva - Rio de Janeiro - RJ


"É de se perguntar por que um seriado japonês despretensioso, tecnicamente simplório, protagonizado por atores  desconhecidos, do outro lado do mundo, cativou e marcou, indelevelmente, toda uma geração de espectadores.

É de se pensar por que um herói esteticamente feio, com uma antena na testa, feito para vender rádio de pilha, pôde calar tão fundo nas mentes e corações de milhares de crianças brasileiras.

A resposta, me parece possível, reside na natureza do discurso do herói. O “KID” era um herói que falava para crianças herdeiras de um país que ainda lutava, nos anos cinqüenta, para curar as feridas de morte e destruição abertas pela segunda guerra no Japão. National Kid era um herói solidário e politicamente correto, justo, defensor da vida, portanto e fundamentalmente, um amigo das crianças: o professor Massao constantemente se dirigia pedagogicamente à seus alunos, o próprio “kid”, em episódio exclusivamente dedicado, ajuda uma criança paraplégica a andar (o que só vem a acontecer no final do episódio), a renascer. A mensagem do “KID” é singela: "Voltemos a viver bem e felizes!"
Interessante pensar nos inimigos do “KID”: Incas Venusianos – versáteis e ágeis; Seres Abissais – implacáveis e herméticos (no final arrependidos); Seres Subterrâneos – misteriosos e ambíguos (dá para ser mais ambíguo do que o Dr. Koroiva?) – Qual deles foi o pior? Haverá, nestes inimigos terríveis do “KID”, algum tipo de crítica cultural (inconsciente?) ao Japão pré-guerra?

Não sei, honestamente, não faço a menor idéia. Ficaram-me tão somente os sonhos e a saudade daqueles dias de efeitos bem pouco especiais e muita, muita, magia."

 

José Carlos Maia - Niterói/RJ


Prezado Humberto.

Demais seu site. Estou hoje com 44 anos e assisti desde a primeira vez que passaram todos os episódios (sei lá quantas vezes... Até hoje tenho trechos de diálogo ainda decorados...). Antes de mais nada, algumas informações: A última seqüência foi a dos Zarrocos e foram eles que soltaram o Giabra. Tinham uns narigões meio de gancho, lembra? Essa foi a mais curta de todas, e veio logo após a dos Subterrâneos. Dentro da linha de aproveitamento dos atores, o Imperador dos Zarrocos era o mesmo dos Subterrâneos, e o "Primeiro-Ministro" dele era o ator que fez o Dr. Kuruiwa, que foi o mesmo que fez aquele velho de cabeça branca dos Abissais e fez o Imana do Incas!!! Esse cara esteve em todos os episódios! Acho também que a atriz que fez a Aura Incas, fazia parte dos Zarrocos. Pelo que vejo, os episódios dos Zarrocos viraram uma espécie de "figurinha carimbada do Baldocchi", certo? Se a minha memória não falha, foram 4 ou 5 capítulos somente, e vinham em seqüência aos Subterrâneos. Porém, ficaram eternizados por conta do Giabra, que destruiu a cidade de Tókio quase inteira!!! Foi no último capítulo dos Zarrocos que o National se revela aos amigos, se despede e vai-se embora... 

Agora, alguns detalhes que gostaria de compartilhar com você e os fãs de KID, a respeito de curiosidades da série:

1) Na versão da Sato com a nova dublagem, alguns nomes foram alterados, não sei se para o formato correto ou não, mas o fato é que:

a) O auxiliar (e pau mandado :) )do Inspetor Takakura chamava-se Makoto no original - com plena certeza. Na versão Sato tem outro nome, que não guardei;

b) O Dr. Mizuno na série original trocava de nome! O personagem era o mesmo, etc. Só era chamado por outro nome. Acho que foi nos Subterrâneos que ele passou a chamar-se Dr. Nagano. Ou ao contrário: começou chamando-se Nagano e depois virou Mizuno, à partir dos Subterrâneos;

c) Palavra que não lembro na série original do marciano "bonzinho" (Incas Venusianos) chamar-se Dom Aparício. Uma coisa dessas teria sido logo notada por mim e meus amigos na época, certamente seria motivo de piada. Em minha opinião, acho que isso foi uma gozação dos novos dubladores com alguém, coisa que acontece com certa freqüência...

2) O marketing da fabricante de eletrodomésticos National, não ficou só restrito aos rádios de pilha. Observe que em todas as casas, laboratórios, etc., têm sempre em destaque ou no quadro de muitas cenas um radio de mesa, uma TV e várias e várias vezes são focalizados em close, relógios de parede com a marca Matsushita. Essa era a holding da National, que depois virou Panasonic...mas concordo que a coisa era muito sutil e até mesmo muito bem feita. Ainda há pouco me deu na telha de assistir às fitas dos Incas e aí saí procurando coisas do National Kid e dei com seu site. Parabéns, um grande abraço e ...AWIKA!

Fernando J. M. Walter - Brasília/DF - 26/03/01

 

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